Eu não sentia nada fazia um bom tempo…
Nenhuma música, nenhum livro,  nenhum beijo, nem ninguém…
Eu até comecei a conversar sozinha, acreditei que mais uma vez, meus sentidos, minha alma, ou sei lá o que… Aquela coisinha boa, que sentimos, os sorrisos bobos e sem motivos que espalhamos por aí, então, eu achei que tudo isso de quando a felicidade bate a porta tinha acabado…
Então, eu achava que não tinha mais coração. Até te olhar, e ver seus olhos em mim, e sentar do lado, e te ouvir falar de uma comedia romântica meio boba, com a mesma concentração que eu ouviria o Milan Kundera falar sobre os livros que eu tanto gosto, e fingir que entendi tudo. Eu não tinha mais coração, até você fechar meus olhos com as suas mãos, e me deixar assim. Você entende? Eu podia não ter mais  coração, mas eu sabia o que eu queria até agora… Até te encontrar, e te olhar, porque eu já te encontrei outras vezes, mas não te olhei, não desse jeito… Não direito. Não querendo você.  Nunca te olhei com essa vontade de chegar mais perto… uma vontade de jogar tudo pro ar e me jogar pra você., mas também tem o medo de que quando eu jogar tudo pro ar, e me jogar para você, eu caia no vazio, aquele medo de você não querer segurar a barra toda, e me deixar cair no chão, e me machucar… porque ultimamente eu prefiro não sentir nada a sentir dor…  Mesmo que você nunca tenha ouvido falar das coisas que eu mais gosto, mesmo que você não goste de cinema, e goste de praia, e não goste de chuva, e mesmo que você não seja o mais inteligente, e cometa os erros ortográficos que eu tanto condeno, mesmo com as diferenças, e que o nosso único assunto seja de verdade só a cerveja…
Se valer a pena enfrentar os eventuais acasos  que com certeza surgirão, se você se segurar firme até a calmaria chegar, eu prometo não recuar quando você tentar me beijar, e eu me jogo… mas só se você me prometer que eu vou te encontrar na queda.